Citação

"A felicidade não lhe é proporcionada por ninguém.
Ela encontra-se somente no próprio esforço
Em revelar o tesouro das profundezas de sua vida, e
se poli-lo cuidadosamente,
Desenvolverá a coragem e a esperança,
Ao longo do caminho."

Pensamento budista - Referência: Sandro Ribeiro


sábado, 16 de junho de 2012

Nos anos 60 - sociais - arraial

'Depressa, menina, acorda, vamos colher as flores de São João'...



dizia meu pai, todo animado! Era o dia do Arraiá das Incaiádas!... 

Sim, eu me reunia com as turma de amigas do Clássico, para 'conchavar' Santo Antonio a nos trazer um namorado. Tinha um quê de brincadeira, mas havia momentos sérios também.O quintal era então adornado com as flores, minha mãe já tinha feito seus petiscos juninos. Havia um fogão a lenha muito pouco usado (já tinha fogão a gás, afinal estávamos em 1966...) . Do lado do fogão a Má colocava o altar de Santo Antonio, escultura esta emprestada da D. Anésia, que morava ao lado. Esta saudosa vizinha tinha duas filhas, uma já tinha se casado e a outra, um 'biscuit' mignon, uma graça de moça, vivia brigando com a estatueta, que por conta disto  vivia de cabeça para baixo na lata de café (uma simpatia antiga para cair em nas boas graças do Santo). Uma vez esta amiga, em meio a um desencontro amoroso, jogou o  Santo na rua!Lá foi sua mãe persignando-se e pedindo perdão ao Santo pelo desaforo da filha... Que história! Como morávamos num rua de localização estratégica, a casa dela era um 'point'. Lá as amigas que iam ao centro acabavam parando e ficando, a chorar suas mágoas, ou tecer seus sonhos. E os interessados nas amigas também. Tínhamos de 16 a 20 anos... 
Outra vizinha era noiva, compromisso já firmado com aliança de noivado e tudo. Era respeitada, pois já 'era noiva', e era a primeira a chegar. Animadíssima. Então as 6 horas da tarde chegavam as incaiádas, já rindo. Algumas traziam algo para a estatueta, uma flor ou vela, afinal tudo era preciso!Deste grupo participavam meninas de 2 ou 3 grupos: as Intocáveis ('cdf',  profundamente sonhadoras e esperançosas); as 'garotas do baile' que além de estudiosas já tinham começado a 'paquerar' e algumas amigas extra grupos. Éramos todas jovens e sociáveis, gostávamos de pertencer a pequenos grupos, e a comunidade como um todo. Gostaria de falar de cada uma em separado/longamente, foram e são tão significativas para mim.
Nesta reunião não entravam homens, só o Pá(meu pai) que ia espiar e meu priminho de 5 anos e se divertiam muito de olhar a gente. Havia brincadeiras, jogos de salão, desfile. As faixas eram do rolo de papel higiênico, umas mais brincalhonas pegavam roupas  e iniciava-se o desfile. Uma delas uma vez vestiu um dos roupões de banho e deu um toque especial. Depois do meio da festinha, havia a Benção de Santo Antonio. Organizava-se uma fila e uma a uma as meninas ajoelhavam frente ao Santo, e faziam sua reza. Esta hora era muito solene, e se alguma soltava um risinho eu já ia logo falando: 'Olha... não pode rir...'
Ao fim, havia um pequeno discurso que alguma delas fazia, hilário e dramático.
Depois de tudo, no dia seguinte, voltava o Santo Antonio de Pádua para a casa da vizinha. Mas as flores de São João ficavam uns dias,  a espalhar a lembrança desta festa gostosa.
Eu era feliz e sabia.

PS.: Sim, todas casaram, rs. Umas com gente, outras com a profissão, outras foram por outros caminhos, mas garanto, todas felizes.
O meu caso foi mais difícil, não era muito afeita. Só fiquei preparada depois que dei 7 voltas no túmulo do saudoso Visconde de Rio Claro, já aos 30 anos. Mas olha, se for fazer isto, não esqueça: não pode rir!

A este pessoal querido,
da

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